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Livro infantil mostra incesto como normal e MEC diz que vai recolher

10 JUN 2017
10 de Junho de 2017
por Jarbas Aragão

Tribunal Superior Eleitoral acredita que influência de igrejas e líderes religiosos nos processos eleitorais é crime

Gilmar Mendes quer proibir igrejas de lançar candidatosApós as votações desta semana, o trabalho do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ganhou grande destaque. Acabado o julgamento de Temer, o presidente Gilmar Mendes, diz que a Corte se dedicará a estudar mecanismos para bloquear o que considera abuso do poder econômico e a influência das igrejas nas eleições.

“Depois da proibição das doações empresariais pelo Supremo Tribunal Federal, hoje quem tem dinheiro? As igrejas. Além do poder de persuasão. O cidadão reúne cem mil pessoas num lugar e diz ‘meu candidato é esse’. Estamos discutindo para cassar isso”, afirmou Mendes em entrevista recente.

O magistrado acredita que há um potencial para abuso de poder econômico, uma vez que esse tipo de doação é de “difícil verificação”. Ele diz estar preocupado com o uso da estrutura física das igrejas para influenciar as eleições. “Outra coisa é pegar o dinheiro da igreja para financiar [campanhas]. Se disser [para o fiel] que agora o caminho para o céu passa pela doação de R$ 100, porque eu não vou para o céu?”, ironiza.

Contudo, o STE ainda não esclareceu quais medidas poderia aplicar, uma vez que ainda existe lei sobre o tema no país. Via de regra, a Justiça Eleitoral trata os casos de abuso religioso como outras formas de irregularidade, equiparando-a ao abuso de poder político, por exemplo.

Uma vez que não existe uma norma clara, a investigação se torna difícil, pois esse é um “crime” que sequer existe formalmente.

Gilmar Mendes não é o único que pensa assim. O vice-procurador-geral eleitoral Nicolao Dino já pediu ao TSE que o prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella fosse condenado por abuso de poder religioso. Durante a campanha a governador em 2014, o bispo licenciado da Igreja Universal foi acusado pelo Ministério Público Eleitoral de usar a estrutura do templo da igreja em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, como comitê.

Foram encontrados no local milhares de fichas cadastrais que traziam a indicação de páginas de Crivella na internet. Junto estavam centenas de formulários pastorais, alguns já preenchidos por fiéis da igreja, que traziam um campo específico para ele colocar o número do título eleitoral.

No parecer enviado ao TSE, Dino escreveu que era “fundamental coibir a prática do abuso do poder religioso, isto é, a exploração do discurso litúrgico para supressão da autonomia política de fiéis, comumente obsequiosos às orientações clericais”. Três anos depois, o caso ainda aguarda apreciação do ministro Herman Benjamin, do TSE.

Investigação difícil

O ministro da Educação, Mendonça Filho, anunciou que serão recolhidos 93 mil exemplares do livro “Enquanto o sono não vem”, distribuídos em escolas públicas de ensino fundamental em todo o país. Ele é recomendado para alunos do primeiro ao terceiro ano, ou seja, entre 6 e 8 anos.

 

O livro já foi recolhido por secretarias locais no Espírito Santo, onde surgiram as primeiras reclamações sobre o teor da obra.

 A decisão do MEC está baseada em um parecer técnico da Secretaria de Educação Básica (SEB), que considerou inadequado o conto “A triste história de Eredegalda”, que conta a história de um rei que deseja se casar com uma de suas filhas.

 “As crianças no ciclo de alfabetização, por serem leitores em formação e com vivências limitadas, ainda não adquiriram autonomia, maturidade e senso crítico para problematizar determinados temas com alta densidade, como é o caso da história em questão”, assinala o parecer.

 Herança do governo de Dilma Rousseff, ele tinha sido avaliado e aprovado, em 2014, pelo centro de Alfabetização, Leitura e Escrita da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Desde então faz parte do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD).

 A trama

 De autoria de José Mauro Brant, a explicação no material impresso é que “A história da princesa assediada pelo próprio pai aparece em vários lugares do Brasil com nomes diferentes: ‘Silvaninha’, ‘Valdomira’, ‘Faustina’. A versão aqui incluída foi inspirada em uma recolhida em Barbacena, Minas Gerais, e foi acrescida dos versos de um acalanto denominado ‘Lá vem vindo um anjo’”.

 Em entrevista recente, Brant acredita que não há nada de errado. “Há uma desinformação do que é o conto folclórico e dos contos de fada, que são territórios que abordam assuntos delicados. A gente está falando de um universo simbólico. É uma história que dá voz a uma vítima”, argumentou.

 A UFMG emitiu uma nota técnica, onde reitera que o livro poderia ser lido por crianças: “Alguns leitores desavisados consideraram que, por conta dessa temática, a narrativa seria inadequada para crianças. O mesmo pode acontecer com o tema do sequestro, presente na narrativa ‘Canta, canta meu surrão’. Trata-se, em ambos os casos, de um julgamento indevido construído por leitura equivocada do romance, do reconto, da tradição oral e do lugar da literatura na formação da criança”.

 Bancada evangélica emite nota

 A Frente Parlamentar Evangélica, juntamente com a Frente Católica emitiram uma nota oficial sobre o tema, onde pedem ao MEC que retire de circulação o livro em questão, argumentando que “não podemos permitir conceitos tão deturpados e repulsivos sejam propagados em nossas escolas”.

 No documento, assinado pelo seu presidente, Deputado Takayama (PSC/PR), os parlamentares destacam ainda que “educar pela pluralidade é educar com responsabilidade, respeitando a formação da família”

Fonte: Gospel Prime
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